quarta-feira, 15 de abril de 2009

Obras de Virgínia Leal Crisóstomo


Agora, já disponível integralmente para leitura neste blog:

Fênix - poemas e crônicas
click neste endereço: www.digitalnetworkmidia.com/livros/fenix_o_livro.pdf

Para quem não tem colírio - desnudando o comportamento compulsivo - crônicas
www.digitalnetworkmidia.com/livros/para_quem_nao_tem_colirio.pdf

SINTEPE LANÇA COLETÂNEA


SINTEPE LANÇA COLETÂNEA

Neste próximo dia 23 de abril, no Teatro de Santa Isabel, com início às 19h, o SINTEPE – Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Estado de Pernambuco – homenageia a cultura pernambucana através do lançamento da Coletânea Poética do 1° Concurso de Poesia em homenagem a Solano Trindade. A coletânea reúne a poesia dos vencedores do concurso que foi realizado em 2008 e reuniu 333 poetas inscritos de todo o Brasil. Foram selecionados três autores na categoria público geral, e 20 na categoria trabalhadores da área de educação. No público geral, o primeiro e segundo lugares são nomes já conhecidos no Recife: o poeta Malungo e Biaggio Pecorelli. No terceiro lugar ficou o mineiro de Uberlândia Muryel de Zoppa. Na categoria dos trabalhadores em educação os três primeiros lugares ficaram com as poetizas: Rozana Nascimento, Regina Carvalho e Tânia Sampaio.

Na comissão julgadora estavam André Telles, poeta e mestre em literatura, Heloísa Arcoverde, ensaísta e mestre em literatura e o poeta e jornalista Raimundo de Moraes.

Segundo o presidente do SINTEPE, Heleno Araújo, “o concurso é uma forma de coroar as ações afirmativas e de promoção da igualdade racial desenvolvidas, por isso a homenagem, na passagem dos seus 100 anos, ao poeta e símbolo da luta em defesa da negritude Solano Trindade, que emprestou seu nome ao Concurso. Também é uma forma de articular a categoria e a sociedade em ações culturais.”

A coordenação de editoração da coletânea ficou sob responsabilidade da Interpoética e da Andararte, ONG que inicia seus trabalhos em 2009 através de um ponto de cultura ancorado pelo site www.interpoetica.com.

O lançamento do livro é aberto ao público e tem a seguinte programação:

Festa de lançamento do livro do SINTEPE
23/04/2009 - Teatro Santa Isabel, das 19h às 23h

Abertura - Diretoria do SINTEPE
Recital dos poemas vencedores com o Grupo Vozes Femininas
Show com a banda Fim de Feira (participação especial do poeta Chico Pedrosa)
Sessão de autógrafos e coquetel

Os convites podem ser adquiridos na Sede do SINTEPE

Contatos:
SINTEPE (2127 8876)

domingo, 5 de abril de 2009

Maturidade

O tempo povoa-me de sonhos,
sonda-me os mistérios,
recolhe significados.

Permeia lacunas
com o dom da espera.
Confiante, prenhe de esperanças.

Dá-me asas e guelras,
o olhar da coruja,
o uivado do lobo.

Anuncia histórias,
encantadas no porvir,
à espera de um gesto.

Toca-me os sentidos
com o sopro das horas
e cheiro de prazer.

De mãos postas,
acolhe sombra e luz
em coloridos prismas.

Joga-me no vácuo
de infinitas possibilidades,
com o riso infantil,
ávido de aventuras.

Embala a criança
dentro de mim,
feita de pura magia
plena de novidades.

E a cada instante
dá-me, generoso e sábio,
a dádiva do presente.

Ser

No singular é pujança
que vaza e bebe e mergulha
para em seguida emergir
e se deixar derramar

Na alteridade oscila
o pendular desejo
a insinuar sem dizer
no seu falar de viés
de sinuosas vias

Na plenitude é presença
de grota a colher vida
contraste de sombra e de luz
a permear lacunas
freqüência de onda lunar

É singular e plural
o sensual divino
do feminino ser
Feito cordas que vibram
antigas canções de ninar

domingo, 1 de junho de 2008

O Circo

São nove horas da manhã, aproximo-me do cruzamento para sair da via local, vejo um aglomerado de pessoas, à margem da rua. Duas mulheres, voltadas para fora do círculo formado, conversam animadamente. Dois homens e uma mulher, aparentando cerca de trinta anos, dirigem-se apressadamente ao grupo. Escalam, com jovialidade, uma elevação formada por pequena jardineira que adorna o centro comercial localizado na esquina. A mulher perde o equilíbrio quando um dos homens faz-lhe cócegas. Ela reage e dá tapinhas enquanto outro lhe belisca. Ainda sorrindo, volta-se para o grupo e faz sinal com as mãos, para que as pessoas à sua frente se afastem. Quando ia observar o objeto de curiosidade, fui atraída pela chegada de uma ambulância. No outro lado da rua, uma motocicleta caída. Confusa, concentrei minha atenção para o centro do aglomerado e pude ver um homem caído no chão. Por um momento, fiquei aliviada por ele estar inconsciente.

Bumerangue

Ao amigo e poeta Lúcio Ferreira

Quando prendo, perco
Ao perder, procuro
E, buscando, encontro
No encontro, solto
E, soltando, volta
No retorno, vejo
O que vejo, escapa
Observo e integro
O que integro, amo
E o amor liberta

terça-feira, 6 de maio de 2008

Vital Corrêa de Araújo - O Poeta ao Avesso ( e averso)

Eis o aviso tardio: este é um poema para os não habituados, para os habituados, não é um poema.

Desavisada, abri o livro, supondo conhecido. Logo descobri que em tal poema não se adentra nas salas de espera. É preciso estar disponível, olhos atentos, sensores ligados.

A poesia viril de Vital é jovem, de paixão rebelde, em briga com os ancestrais e deles bebendo a fonte. Tem jeito de adolescente, em suas vestes ousadas, e penteado irreverente. É erudita loucura, que tira o véu enquanto o põe. Sem antídoto: como a vida ou realidade. Poeta ao avesso, busca o meio verso, o anverso/o averso absoluto, o inverso busca/o não verso, se pode. Pois precisa que as palavras reverberem-se/de encontro ao íntimo uma da outra – destranquem os segredos, gotejem-se – /desse roce intenso, do acasalamento do verbo nasça a tensão necessária, a usina nua da realidade. Atento à dualidade do ser, descobre que a eternidade não é tão perto como a porta:/dista uma milha de pérolas, uma vara de porcos. Sabe da utopia dos mitos, e que o herói dura o tempo da queda; que elabora/ o cume e a queda/ e ao cair/ erige o abismo.
De denúncia e confissão, apelo e deserção, de nojo e desejo é feito o poema de Vital Corrêa de Araújo. É lamento de blues, e agudeza de guitarra. É desconstrução de pergunta de criança nas certezas do adulto. É necessária oposição.