terça-feira, 24 de julho de 2012


O Bordado da Vida
                                               Virgínia Leal Crisóstomo

Há muito, muito tempo atrás,
quando a voz não conhecia palavras,
a vida era um imenso jardim.
Fácil era entender o bailado das árvores,
o cheiro das flores
e a vibração das pedras.
Os raios de sol atravessavam as árvores
e aqueciam o corpo.
Os pássaros traziam imagens de lugares distantes.
O vento era uma canção ancestral
a lembrar quem somos.

Nesse tempo remoto,
quando só havia o agora,
a linguagem era do coração.
Éramos apenas um.
Um som na orquestra universal,
um gesto na dança dos elementos,
um olhar na construção das alegrias.

Não se sabe em que encruzilhada
nos afastamos desse lugar.
Sabe-se que a nostalgia criou o passado
e congelado ficou no inverno da alma.

Mas há aqueles que se demoram
ao sentir o cheiro de terra que a chuva exala,
ao ouvir o trovão em noites escuras,
ao contemplar a lua num céu de estrelas.
Eles continuam a colher o fio de voz
que irá  tecer suas histórias,
pois sabem que somos todos um ponto
arrematado no bordado da vida.

2 comentários:

Marcia disse...

Seu texto foi postado direto p meu coração!! Compartilho essa saudade da origem, a sensação de não pertencimento ao mundo comum, tenho essa nostalgia congelada no meu peito e no meu fizer! Lindo !! Valeu

Virgínia Crisóstomo disse...

obrigada, Márcia, é bom encontrar pessoas afins